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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Florinda Bolkan, a cearense que a Itália adotou

Por Altamir Pinheiro

Magra, alta e morena, sua beleza lembra um pouco a atriz americana Raquel Welch. Linda e talentosa, Florinda Bolkan, a "garota com olhos famintos...", nascida Florinda Soares Bulcão em Uruburetama, no Ceará. Filha de pai poeta e deputado, e descendente de índios pelo lado materno, aos 18 anos já dominava o francês e o inglês. Segundo nos confirma o seu fã e pesquisador de sua vida, Antonio Nahud, ela nunca fez segredo de suas preferências sexuais, mas também nunca vestiu a camiseta da militância lésbica. A condessa italiana Marina Cicogna Volpi, produtora de filmes, foi influência fundamental em sua vida. Viveram juntas dezoito anos. Quatro deles em Beverly Hills, frequentando festas de Sean Connery e Gregory Peck. Sob a proteção da condessa, fã de Katharine Hepburn, ela estrelou alguns filmes de sucesso na Itália Estados Unidos e no Brasil.

Segundo depoimento da própria FLÔ, para os íntimos, De todos os filmes que fez, particularmente o que ela gosta mais é  de “Amargo Despertar”, com direção de Vittorio De Sica, de 1973. E complementou: ‘’De Sica – aquele jovem setentão com quem tive o raro privilégio de trabalhar – sabia tirar o melhor de cada ator. Ao mesmo tempo, nos deixava à vontade, fazendo-nos totalmente livres, felizes. Com ele, nunca tive a sensação de trabalho duro, mas sim a da criação, a da abertura. Ele me deixou inventar gestos, olhares, coisas que adivinhara que eu tivesse vivido. Um dia, me disse porque me escolhera para o papel: “Você tem olhos de quem já conheceu a fome”...

Ainda no tocante ao filme Amargo Despertar: ’’Devo a ele(o diretor Vittorio De Sica ), a esse filme, a abertura no mercado norte-americano, onde, inclusive, cheguei a fazer televisão. O filme estourou nos EUA, me deu prêmios e fama. Passei de sex-symbol para a pele de uma operária horrorosa. Acabei comparada à personagem que Sophia Loren viveu em “Duas Mulheres”, também de Vittorio De Sica. Para mim, o mais importante foi saber que estava mesmo apta a fazer qualquer papel no cinema”. 

O seu fã, o brasileiro  Antonio Nahud, que mantém   um certo laço de amizade dirige-se a FLÔ tratando-a de Sensual e sofisticada e nos seus estudos e pesquisas  afirma que  ela fez um sucesso danado durante uma certa época. Capas de inúmeras revistas nacionais e europeias. Em 1968 foi escolhida para participar em um filme “Candy in Rome” ao lado do Beatle Ringo Starr, Richard Burton e Marlon Brando. Diz ainda o fã: Eu a conheci em Lisboa, 1998. Passamos juntos boa parte de uma tarde, numa feira internacional de turismo. Na época,  FLÔ era uma cinquentona, ainda formosa, elegante e de forte personalidade. Ficou surpreendida quando eu citei vários de seus filmes. “Um jovem brasileiro que viu meus filmes? Inacreditável. O Brasil me esqueceu”, queixou-se. Tinha razão, raramente é lembrada entre nós, mas jamais deixou de ser ícone na Itália. 

Em sua cinematografia encontram-se bons filmes, como: A Fúria dos intocáveis (1968) -     O Soldo da Corrupção (com Franco Nero, 1969); - Os Deuses Malditos (1969); -  Anonimo Veneziano (1970) ; - Investigação de um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (1970); - Uma Lagartixa Num Corpo de Mulher (1971); - Caros Pais (1973); - O Heroico Covarde (1975); - O Valor do Pudor (1976); -      Amargo Despertar (Una Breve Vacanza, 1973) de Vittorio De Sica com Renato Salvatori e Adriana Asti.

Florinda sempre foi bela e talentosa. A classe artística da época é que torcia o nariz para ela. Sempre demonstrou seu talento, trabalhando com grandes diretores internacionais. Continua bela e prestigiada na Itália. Atuou sob o comando de importantes diretores: Vittorio De Sica, Elio Petri, Giuliano Montaldo, Michel Deville, Damiano Damiani, Richard Lester, Giuseppe Patroni Griffi e tantos outros. Seu tipo físico, a beleza morena, agreste, chamava a atenção dos cineastas.  Em 1970, brilhou ao lado de Gian Maria Volontè em “Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”, que conquistou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Outro filme dela, “O Anônimo Veneziano”, foi o mais visto na Itália em 1970, rendendo-lhe status de estrela.

Independente da preferência de FLÔ,  sua consagração total veio com “Anonimo Veneziano” (1970) o filme mais visto daquele ano. Nos anos 70 ela reinava absoluta, tornando-se a nº 1 na Itália. Florinda está no rol das grandes estrelas brasileiras de carreira internacional como Carmen Miranda, Sônia Braga, Norma Bengell,  Denise Dumont e Bruna Lombardi. Seu perfil é o de uma mulher forte, sensual, elegante e sofisticada. Florinda Bolkan que no mês de janeiro de 2018 completa 77 anos  tem relação apaixonada com a câmera, carisma, coisa de estrela. Ganhou três prêmios David di Donatello - o Oscar italiano – de Melhor Atriz, o Globo de Ouro italiano e o prêmio de Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Los Angeles por “Amargo Despertar”. Atuou em 40 filmes e outros tantos para a TV.

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